Home Amparo - SP Fones: (19) 3817-1956 Segunda-Feira, 24 de Julho de 2017
   
Oração do Cavalo
 

Dono meu:
  • Dá-me freqüentemente de comer e de beber, e quando tenhas terminado de trabalhar, dá-me uma cama onde eu possa descansar comodamente;
  • Examina todos os dias os meus pés e limpa o meu pêlo,
  • Quando eu recusar a forragem, examina meus dentes e minha boca, porque bem pode ser que eu tenha uma travagem que me impeça de comer;
  • Fala-me, tua voz é sempre mais eficaz e mais convincente para mim, que o chicote, que as rédeas e que as esporas;
  • Acaricia-me freqüentemente, para que eu possa compreender-te, querer-te e servir-te da melhor maneira e de acordo com os teus desejos;
  • Não cortes a minha cauda muito curta, privando-me do melhor meio que tenho para espantar as moscas e insetos;
  • Não me batas violentamente e nem dês golpes violentos nas rédeas, se não obedeço, como queres, é porque não te compreendo, ou porque estou mal encilhado, com o freio mal colocado, com alguma coisa nos meus pés ou no meu lombo que me causa dor.
  • Se eu me assustar, não deves me bater, sem saber a causa disso, pois bem pode ser o defeito da minha vista ou um providencial aviso para ti;
  • Não me obrigues a andar muito depressa em subida, descida, estradas empedradas ou escorregadias;
  • Não permaneças montado sem necessidade, pois prefiro marchar, do que ficar parado com uma sobrega sobre o dorso;
  • Quando cair tenhas paciência comigo e ajuda-me a levantar, pois faço quanto posso para não cair e não causar –te desgosto algum;
  • Se tropeçar não deves por a culpa em cima de mim, aumentando a minha dor e a impressão de perigo com tuas chicotadas, isso só servirá para aumentar meu medo e minha má vontade;
  • Procura defender-me da tortura do freio, não no trabalho, mas quando esteja em descanso, e cobre-me com a manta ou com uma capa apropriada;
  • Enfim, meu dono, quando a velhice me tornar inútil, não esqueças o serviço que te prestei, obrigando-me a morrer de dor e privações sob o jugo de um dono cruel ou nos varais de uma carroça, se não puderes manter-me, ou mandar-me para o campo, mata-me com tuas próprias mãos sem me fazer sofrer;
  • Eis tudo o que te peço, em nome daquele que quis nascer numa baia, minha morada, e não num palácio, tua casa...
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